MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS.
• “A Escolha do Método Anticoncepcional”.
Há pessoas que decidem não ter filhos. Outras decidem tê-los a partir de determinada idade quando se estabilizam na carreira profissional ou vivem em parceria estável. Outras planejam o número de filhos que desejam ter e a distância entre uma gravidez e outra. Há também os adolescentes que previnem a gravidez por estarem estudando, se iniciando no mercado de trabalho e por dependerem da família. Há pessoas que evitam a gravidez por risco à própria saúde ou à dos filhos. E há também aquelas que exercem plenamente sua sexualidade somente se não viverem na ansiedade da gravidez não programada.
Além destas diferentes razões levantadas por mulheres, homens e casais, somam-se as políticas públicas de planejamento familiar que visam o controle da natalidade, a fim de gerir o acesso da população aos recursos destinados à educação, à saúde, à habitação, à alimentação, ao trabalho e à infra-estrutura social.
Na maioria das sociedades foi destinada à mulher a responsabilidade de controlar a concepção, pois “é ela quem engravida”. Esta é uma razão possível do porquê existirem mais métodos anticoncepcionais para a mulher do que para o homem. Por outro lado, nos últimos 40 anos os anticoncepcionais permitiram à mulher – sobretudo dos meios urbanos – uma vida sexual mais livre, saudável e prazerosa, sem gestações sucessivas que interrompiam as trajetórias estudantil e profissional ou acumulavam danos ao organismo.
Para atender às expectativas contraceptivas de um corpo social tão complexo e diversificado, estão disponíveis vários métodos anticoncepcionais que atendem aos diferentes níveis de situação econômica, de acesso à informação, de condições de saúde e de estilo de vida dos indivíduos. Mas a escolha de um método anticoncepcional que melhor se adéqüe a cada indivíduo não é uma decisão puramente pessoal. Além de fatores econômicos e sociais, a eficiência da maioria dos métodos anticoncepcionais está intimamente ligada à fisiologia de cada organismo e sua utilização não pode prescindir da orientação e do acompanhamento médico.
A orientação de um ginecologista ou urologista sobre a saúde sexual, particularmente para adolescentes, ajuda a desfazer mitos quanto a práticas consideradas popularmente como anticoncepcionais mas que não garantem qualquer segurança, tais como a ducha vaginal logo após o coito, o uso isolado de espermicida, o coito interrompido e as relações sexuais durante a lactação.
Quando a mulher, o homem ou o casal escolhe um método anticoncepcional com orientação médica, sempre são avaliadas pelo menos cinco condições:
1. a porcentagem de eficácia do método;
2. os efeitos colaterais e as contra-indicações à saúde do(a) paciente;
3. o impacto da gravidez não planejada na vida da mulher ou dos parceiros;
4. a reversibilidade do método e
5. quando se trata do casal, a conscientização de que homem e mulher têm papéis definidos e co-responsabilidades para que a contracepção seja bem-sucedida.
Os métodos anticoncepcionais estão classificados em cinco grupos: naturais, de barreira, hormonais, dispositivos intra-uterinos e cirúrgicos. Na década de 90 foi disponibilizado o contraceptivo pós-coito destinado a mulheres que tiveram relações sexuais sem proteção ou mediante violência. Trata-se de uma medida de emergência contra eventual gravidez e por isso não é um método rotineiro de prevenção.
1. Métodos Naturais ou Comportamentais ( Abstinência Sexual, Muco Cervical, Relação Sem Penetração, Tabelinha e Temperatura Basal) : abster-se de relações sexuais ou manter práticas sexuais que excluem a penetração requer grande disciplina e autocontrole dos parceiros, mas pode contribuir para uma vida sexual francamente insatisfatória. Os demais métodos baseiam-se na observação regular de sinais do organismo que indicam se a mulher está ou não no período fértil. Estes sinais precisam ser anotados em tabelas mensais e em esquemas de escalas de temperatura, ou percebidos pelo tato no caso do exame do muco cervical. São medidas contraceptivas antigas, com alto índice de falha mesmo se os parceiros as seguirem rigorosamente. Ainda recorrem a esses métodos as pessoas que não têm acesso a outras técnicas ou seguem normas morais e religiosas que proíbem o uso de modernos recursos para o controle da natalidade, ficando também bastante expostas a contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST).
2. Métodos de Barreira (Capuz Cervical, Diafragma, Espuma, Creme e Esponja Espermicida, Preservativos Masculino e Feminino): quando utilizados corretamente chegam a um índice de eficácia contraceptiva de até 98%. A eficácia real que leva em conta como o usuário manipula e conserva o produto cai para 85 a 95%. A segurança do método de barreira aumenta consideravelmente quando são combinados preservativos e espermicidas. É também o método que melhor previne as DST.
3. Métodos Hormonais (Adesivos, Anel Vaginal, Implante, Injeção, Micropílula e Pílula): apresentam eficácia próxima a 100%. Em todas as variações deste método é imprescindível o acompanhamento médico, pois altas doses de hormônio são liberadas no organismo e podem resultar efeitos colaterais como sangramento fora do período menstrual, vômitos, dores de cabeça e alterações de peso. Para eliminar ou atenuar esses sintomas cabe ao médico avaliar qual contraceptivo hormonal é indicado para cada paciente. No caso da pílula há maiores contra-indicações (se a mulher for cardiopata, diabética, fumante ou portadora de transtornos hepáticos e circulatórios), mas os riscos diminuem se forem aplicados anticoncepcionais injetáveis, adesivos ou implantes.
4. Dispositivos Intra-uterinos (DIU): seu índice de eficácia se situa entre 98 e 99%. É uma alternativa segura para mulheres que não podem consumir anticoncepcionais hormonais ou que precisam parar de tomá-los por alguns anos. Os modernos DIU são de plástico revestido de cobre, duram entre 5 e 10 anos, devem ser inseridos por um médico e avaliados periodicamente.
5. Métodos Cirúrgicos ou Definitivos (Laqueadura Tubária e Vasectomia): possuem índice de eficácia entre 99,8 e 100%. Na laqueadura tubária é seccionada a tuba uterina de modo que o óvulo não possa implantar-se na parede do útero. Na vasectomia há secção dos ductos deferentes que impedem a passagem dos espermatozóides. Por ser um método de difícil reversibilidade, a medicina orienta ser mais indicado para pessoas que já tenham o número de filhos desejado, que não possam ter filhos por risco à própria saúde, que temam transmitir graves doenças hereditárias, que não suportem os métodos contraceptivos hormonais ou que tenham decidido que suas vidas são totalmente incompatíveis com a paternidade ou maternidade.
Fontes:
Melo, N. R.; Pereira Filho, A. S. – Anticoncepção: Manual de Orientação. Febrasgo, Rio de Janeiro. 1997.
Petta, C. A.; Faundes, A. – Métodos Anticoncepcionais. São Paulo, Contexto, 1998.
Pinho Neto, J. S. (Org.) – Temas Especiais de Anticoncepção: Febrasgo. Rio de Janeiro, Revinter, 1999.
Rubí, M. L. – Los Anticonceptivos. Madrid, Aguilar, 1996.
Anticoncepção. Disponível em: http://www.sogesp.com.br/protocolos/manuais/anticoncepcao. Acessado em 31/10/2004.
Manual de Anticoncepção. Disponível em: http://www.anticoncepcao.org.br/.
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